sexta-feira, maio 30

As ondas

Molhar os pés na água do mar é extraordinário. Faz sorrir e pensar na inocência dos primeiros anos, em que tudo era novidade e descoberta. Hoje, as ondas tímidas molharam-me os pés, mas lavaram-me a lucidez. Ou talvez não. Se calhar, fizeram-me ver o que há muito eu não queria ver. Se calhar, disseram-me que não devo ir por aí, que o caminho é outro.
A vida passa e o que ela me fez passar não tem de ter sido mau. Foi e pronto. Não somos nós também que assinamos o nosso destino, não está nas nossas mãos aquilo que queremos ser? Se for preciso andar para trás para retomar o caminho, ande-se para trás. Pois a sensação que fica é a de que de outra forma não se consegue andar para a frente.
Hei-de ir mais vezes lavar a minha lucidez.

4 Comments:

Blogger éme. said...

A julgar pelo que li...
as ondinhas clarificam é as ideias! :)
Também acredito que, às vezes, mais vale mesmo uns passos para trás. Que de outro modo não se consegue andar p'ra frente!
E gostei da ideia de lavar a lucidez... que até sei como gostas do Saramago e calculo que do Ensaio Sobre ela!
Também gostei da ideia de andar para retomar o caminho...
Bom, fartei-me de gostar do que por aqui li, essa é que é essa!
:) Força no percurso, Lésse!

1/6/08 3:13 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

éme!
Como me entendes...

A lucidez do Saramago vive há muito comigo. E também o outro ensaio, o da cegueira branca... que acabei de reler (segunda vez?) há dias.
Quanto aos caminhos, olha, por vezes eles andam por aí só que não os vejo. Também devo ter de lavar os olhos nas ondinhas!

Uma beijoca da Lésse

1/6/08 2:43 da tarde  
Blogger mfc said...

É bonito ler-se quem sabe o que diz e como o diz.

1/6/08 6:24 da tarde  
Blogger jrd said...

Recuar um pouco, retomar o caminho das dunas e fruir melhor o horizonte, os horizontes…

2/6/08 7:35 da tarde  

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