sexta-feira, abril 8

Tu, que és cão


Tu és um saco de pulgas.
Tu nunca tiveste um minuto de trabalho.
Tu lambes a cara de desconhecidos
com a única intenção de me envergonhar.

Por vezes, tresandas como uma manta
velha, mal cheirosa e húmida.

Não és apenas daltónico,
tu nem sequer sabes distinguir
uma carpete de um sofá.

Tu finges que achas a palavra
“não” incompreensível.
Tu insistes em partilhar o teu desafinado
latido com a vizinhança inteira.

Por alguma razão, tens medo de estátuas.
As estátuas põem-te louco.

Tu não tens vergonha nenhuma.

Tu és a coisa mais preguiçosa, suja
teimosa e presunçosa que conheci
em toda a minha vida.

Mas eu acho que és perfeito.



Nota: isto é plágio

2 Comments:

Anonymous Ademar said...

Há cães com sorte...

8/4/05 6:45 da tarde  
Anonymous Cadelinha Lésse said...

A sorte dos cães é essa: são cães, não se aborrecem, não estão à espera de nada. São cães e pronto!

8/4/05 7:28 da tarde  

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